domingo, 19 de agosto de 2007

Profissão Perigo

Ser caixa de banco está longe de ser uma profissão decente, longíssimo. É muita responsabilidade para pouco ordenado, pelo menos eu acho, afinal as minhas contas chegaram a um patamar em que torna-se necessário um reajuste de uns bocados de porcentos. É muito estressante ser caixa; atende-se gente feia, fedorenta, mal-humorada e burra... Na maioria das vezes. Em alguns casos, as pessoas possuem mais de uma das categorias das citadas como, por exemplo, feias e burras, ou mal-humoradas e fedorentas, e por aí vai. Na verdade mesmo, não gosto de ser um "Bank Box" (risos), mas aturo a profissão. É melhor ser um estudante de engenharia estressado por causa do trabalho do que um estudante de engenharia estressado por ser duro.
Alguns "tipinhos" são menos desejados que os outros. É mais recomendável atender uma pessoa feia a atender uma mal-humorada, essas últimas as principais causas do meu mal-humor. A combinação de burro-mal-humorada é a mais venenosa de todas, essas pessoas sempre exigem coisas cabeludas, parecem até que estão fazendo um móvel por encomenda, querem tudo do jeitinho que deles, não importando a legislação bancária. Eles pensam que os bancos acham que cliente tem sempre razão... Coitados.
De todos os tipos de clientes estressantes os melhorezinhos são os burros, alguns até me propiciam momentos de divertimento, poderia contar vários casos de cagadas de clientes, mas um em especial vale a pena ser descrito. Chamo-o de caso "Dori", vocês vão entender porque.
Foi bem assim:

Certo dia veio uma cliente, feia, em meu guichê para fazer depósito inicial e cadastrar senha. Ela acabara de abrir uma conta. Como manda o protocolo, fiz primeiramente o depósito inicial e logo após fui cadastrar a senha.


- Senhora, por favor, escolha uma senha de quatro números de digite aí.
- Quantos números?
- Quatro.
- Quatro?
- Isso.
- Poc, poc, poc, poc... [digitando a senha].
- Agora para confirmar a senha, digite novamente os mesmos números.
- Que números?
- Os que a senhora acabou de digitar.
- Eita, esqueci! [Já?]
- Ok, vou cancelar e a senhora vai digitar novamente uma senha.
- Tá certo.
- Agora, digite uma senha de quatro números novamente.
- Pode ser qualquer um?
- Pode.
- Poc, poc, poc, poc... [digitando a senha novamente].
- Agora para confirmar, digite novamente os mesmos números.
- Eita meu ‘fiu’... Pere... Acho que é esse aqui.
- Poc, poc, poc, poc... [digitando a senha novamente].
- Não senhora, não confere. Quer um papel para anotar?
- Quero.
- Toma...
Ela escreve uns garranchos no papel.
- Posso digitar agora. [perguntou ela].
- Pode.
- Poc, poc, poc, poc... [digitando a senha 're'novamente].
- Digite novamente para confirmar.
- Esses aqui né? [apontando para o papel]
- É .
- Poc, poc, poc, poc... [digitando a senha 'tre'novamente].
- Ótimo.
- Consegui?
- Sim.
- Yes!

Ela disse "yes", foi uma vitória.

Momento de sabedoria:
Você sabia que a memória de um peixe dura em média 7 segundos para se apagar? Ou seja, os peixes se "esquecem" das coisas que se passaram a mais de sete segundos.

Mas o que isso tem a ver com a cliente? Ora bolas, não foi necessário nem 2 segundos para ela se esquecer de algo. Ela tinha a memória pior que a de um peixe. Por isso chamo de "Caso Dori", em alusão a Dori de "Procurando Nemo".

É, trabalhar com pessoas é uma faca de dois gumes.


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